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Casal Mergulhão

Atualizado: 3 de fev.

O casal (Humberto Mergulhão e Natália Bispo) conheceu-se no Porto, mas fez sucesso em Angola. A carreira profissional dele, apesar do início em Lisboa, sedimentou-se no Porto, ao mesmo tempo na rádio, ao serviço do Secretariado de Propaganda Nacional-Secretariado Nacional de Informação e como jornalista de O Século. Depois, no começo da década de 1950, Humberto Mergulhão e Natália Bispo, após passagem pela Emissora Nacional (Porto), iriam para Rádio Clube de Benguela, onde ele chegou a chefe de produção, além de repórter, relatador de futebol e de hóquei em patins e autor de peças de teatro.

Em Angola, seria atribuída a Humberto Mergulhão a sugestão da formação da rádio oficial, por ele não gostar da rádio comercial e da publicidade da qual viviam os rádios clubes. Ele e Natália Bispo tinham-se oferecido a Rádio Clube de Benguela, abandonando a carreira de funcionários públicos, mas queriam regressar ao Estado, como garantia de reformas como trabalhadores do Estado. Humberto Mergulhão foi ainda chefe de serviços da radiodifusão do CITA (Centro de Informação e Turismo de Angola), até à autonomia da Emissora Oficial de Angola, e serviu a Agência Geral do Ultramar. Abandonou funções em 1964 por doença, morrendo cinco anos depois.

Natália Bispo, depois do início de carreira na rádio no Porto, rumou para África. Como não tinha vaga em Angola, aceitou um convite para Rádio Clube de Moçambique. No período em que permaneceu em Lourenço Marques, estava a construir-se o edifício da estação, com a campanha “um tijolo para o Rádio Clube”, formando-se uma caravana de artistas, cantores, locutores e técnicos que angariaram fundos em viagem por toda a colónia. Num espetáculo da rádio, onde atuou Sara Chaves, jovem angolana e criadora da Casa Portuguesa, Natália Bispo fez a apresentação e declamou poesia. Ali, permaneceu vários meses, até surgir vaga em Rádio Clube de Benguela, onde se tornou locutora, produtora de programas e secretariado. Natália Bispo trabalhou em Rádio Clube de Angola, passando para a Emissora Oficial de Angola. Um dos seus programas foi Hora do Soldado, feito a partir de cartas de soldados. Escreveu também letras para canções. Em Angola, permaneceu catorze anos, regressando à Emissora Nacional (Lisboa) após doença e falecimento do marido.

Autor: Rogério Santos, 2022

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